Fome e desnutrição como fenômenos distintos e faces da mesma moeda.

Fome e desnutrição como fenômenos distintos e faces da mesma moeda.

Andressa Azevedo

Diante de recente pesquisa, simples programas de distribuição de alimentos e suplementação alimentar, se mostram insuficientes para combater a desnutrição infantil.

A professora Helenice de Fátima Muniz, do Departamento de Pediatria do Centro Biomédico da Ufes falou sobre a desnutrição e a fome na conferência Estratégias e Políticas Públicas no Enfrentamento da Fome, dia 27, durante o seminário FOME Qual é a sua?.

Vitor Graize

Helenice relata as experiências com os moradores do bairro São Pedro.

De acordo com Helenice, fome e desnutrição são dois
fenômenos que são causados por fatores distintos e que
portanto não podem ser entendidos como sinônimos; o que
vem acontecendo por boa parte dos profissionais de saúde
que prestam assistência em comunidades carentes com
altos índices de desnutrição. É importante ressaltar que
nesse contexto, a fome é apenas um dos fatores que
causam a desnutrição infantil e que apenas 20% das
crianças estão desnutridas devido à falta de alimento.

Em progressivo raciocínio, mães que teriam seus filhos
desnutridos teriam que estar desnutridas também, porém
somente 15% dessas mães apresentam o mesmo quadro
clínico. Em recente pesquisa, 35% das mães estão obesas
e o restante com peso e densidade calórica consideradas
normais.

Diante dessa realidade, a Prefeitura de Vitória criou o Programa de Recuperação da Criança Desnutrida na Comunidade de São Pedro que visa promover a nutrição adequada da criança visando a desnutrição.

Dentre os seis meses e os três anos de vida, o risco de desnutrição é muito grande. A desamamentação e a sua substituição pelos chamados alimentos complementares. A professora Helenice complementa ainda que nos últimos anos houve um declínio da prevalência da desnutrição, mas que ainda continua caso de saúde pública.

Além da fome, a desnutrição pode ser causada por condições de saneamento básico ausentes ou inadequadas, abandono do aleitamento antes dos seis meses de vida, com a substituição do leite materno pelo de vaca, o que provoca destruição da mucosa intestinal e, principalmente as práticas inadequadas com os cuidados infantis como a relação mãe-filho.

Frente aos dados da pesquisa conclui-se portanto, que existem fatores ligados ao nível domiciliar interferindo nesse processo e que os programas de suplementação nutricional e de distribuição de alimentos não são suficientes para solucionar a desnutrição.

Com a execução do projeto na formação de agentes cuidadores e propagadores de saúde, Helenice espera melhorar a auto estima das mães que diante do despreparo e programas ineficientes se sentem culpadas e são colocadas erroneamente como as grandes vilãs da história. Afinal, qual é a mãe que não quer o bem de seu filho?